Monday, July 25, 2011

I break horses.

Quando eu era pequena, ele me obrigou a montar. Era viciado em corrida de cavalos e além do almoço de domingo ser feito no jóquei, me colocou na aula de montaria. Eu gostava de cavalos.
Nas férias de verão eu ia até a pracinha mais próxima e alugava um cavalo cinza por uma hora. Um cavalo bom, que não parava, e depois das férias voltava para a cidade de pernas arcadas e cabelos alvoroçados.
Depois que eles se separaram e acabou o dinheiro para as aulas assim como a presença dele, eu me contentava com as idas a fazenda do meu avô para montar cavalos. Nunca tive um que fosse meu depois das aulas, ia com qualquer um que me diziam que era manso, mas nunca o bastante para que parasse comigo no meio do caminho.
Um dia me colocaram em um cavalo marrom e bravo, mas cavalos não me metiam medo, eu disse. Desde que não empinassem comigo. Segurei a sela e fui tocar os bois junto com o peão do meu avô.
De repente me vi sozinha, em uma imensidão de mato. Sozinha. E ele disparou. Correu de forma que eu nunca tinha corrido, nem nas aulas de montaria, em lugar algum. O cavalo marrom não obedecia minha sela, minha ordem, meu medo, e empinando por vontade própria me derrubou de costas em cima de uma cerca de madeira. Por onde eu fiquei imóvel por uma hora e meia.
Quando as pessoas chegaram, me colocaram no colo e a queda me rendeu uma escoliose eterna.
Tive medo de cavalos para o resto da vida, até olhar nos olhos de um e confiar de novo.
Fui partida ao meio por um cavalo, eu disse a ele. E depois disso parti todos os outros que cruzaram meu caminho.
Mas eu fui. Montei o cavalo que me deram e deixei que ele me levasse para onde quisesse. Penso que a parte de mim que foi quebrada ao meio não teve conserto. E não é mais um tombo que vai mudar isso.

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