Friday, August 05, 2011

Com amor.

Querido,
Ando vivendo dias delicadíssimos por aqui. Do lado de fora da janela existe uma pitangueira com flores brancas e pequenas, e a Lurdes que vem de manhã para limpar a casa, faz aquelas torradas Petrópolis que comíamos na infância, lembra? São tão grandes e gostosas que me dá vontade de fazer um mosaico em cima delas com geleias, manteiga, queijo fresco e ir mordendo cada parte com um gosto diferente.
Me arrisquei até no mel, vejo que eles tiram das colmeias tão cedo, que tive vontade de provar.
Passado o café me deito na sombra com o livro que você me mandou. Ando rabiscando desenhos e frases, e acho que algumas páginas relevantes podem sair durante essa temporada no céu.
Não falo com h. há exatamente três meses. Me sinto melhor e o médico quando vem me ver diz que poucos pacientes tiveram a minha melhora. Tenho sorte por poder ficar reclusa em um lugar como esse e ter um médico tão bondoso e bonito que vem me consultar uma vez por semana.
Trocamos os remédios. Já me sinto mais tranquila, confiante e indolor. Ontem a noite vimos dois filmes da caixa do Polanski, você não imagina como a Julia morreu de medo. Eu gosto do Polanski, adoro a forma com que ele lida com a loucura, e isso, vindo de uma louca em tratamento é um tremendo elogio.
Sei que você não gosta que eu fale assim, meu amor, mas é que não podemos fugir da realidade. Mesmo quando a realidade seja a loucura.
Fico pensando se mamãe já sabia que eu seria assim, ou quando é que eu fiquei assim de verdade. E quantas pessoas subestimam a dor de um coração vazio, não é?
Mas deixando meu cinismo de lado, os dias estão realmente gloriosos. M. veio este fim de semana com uma câmera fotográfica diferente e tirou fotos minhas e de Julia na piscina. Gosto de passar o dia lá.
De vez em quando fico embaixo da água até não aguentar mais. Submersa, com os ouvidos entupidos e os olhos abertos feito um peixe beta. A água. A água faz maravilhas, você sabe.
No mais, preciso contar que recebi uma carta de Maria, me contando a novidade de que está grávida. Penso que será a criança mais bonita que a família já viu, e ontem eu e Julia discutíamos se o bebê vai se parecer com ela ou com Heleno. Que bela mistura será. E eu já amo essa pequena vírgula que cresce no ventre de Maria.
Maria vai parir um santo.
Meu editor também ligou. Está ansioso. É tão engraçado o quanto ficam inquietos pelos escritos de nós, os autores desiquilibrados (risos). Não faça essa cara feia que você deve estar fazendo. Saiba que eu realmente acho que posso ajudar pessoas. Mesmo que eu continue falando de amor.
Do amor que me enlouqueceu.
Mas saiba querido, que ainda estou viva. E enquanto há vida, juro que serei capaz de coisas incríveis.
Nem que seja acordar pelas torradas da manhã. Nem que seja.


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Queridos, eu nunca gostei de participar de concursos literários porque fico meio insegura e impressionada, mas a Cantão teve uma iniciativa muito bacana com os novos autores e lá estou eu com contos que vocês conhecem, concorrendo a um prêmio que dá direito a publicação, Ipad e roupas. Nada mal, hã. Pois então. Estou lá. E conto com vocês nessa difícil empreitada. Votem, votem, votem? É só ir ao http://www.euamoescrever.com.br/ digitar Paula Gicovate e encontrar meus três contos. O mais votado é o “Amor com manteiga”, que vocês conhecem. Ficaria muito feliz e honrada, pois preciso de uns bons votos para entrar na página 5 (os 50 mais votados passam da primeira fase)
Obrigada desde já.
Um beijo enorme,
P.

1 comments:

*...Mary...* said...

M fez chorar...