Ontem eu escrevi sobre uma mulher louca. Uma escritora, que só acordava de manhã pelas enormes torradas que faziam para ela. Viver para comer não é muito diferente do meu lema de vida. Hoje é sábado. Acordei com o miado do gato, com C. indo embora, com meus próprios medos. Digitei “something beautiful” em um site de busca no computador, mas não funcionou. Encontrei um bilhete de C. no meu espelho dizendo: “Li seu texto. Você menciona loucura (de novo), um médico (de novo) e eu acho que na verdade isso é tudo projeção de um futuro que você acha que vai ter. Um beijo, C.”
Pego o bilhete e leio algumas vezes, tomo o remédio com um café ralo. Depois dele, meu café nunca mais foi o mesmo. Deito para ler o jornal, tento achar alguma coisa bonita de novo, e nada. Só leio o texto de um escritor que conseguiu sair do mundo de drogas e compulsão sexual e hoje vive uma vida feliz com uma pedagoga.
Sonhei com o médico. No sonho, estávamos em São Paulo para uma consulta de emergência. O consultório não tinha chave e do lado de fora duas secretárias vestidas com roupas dos anos 60 ligavam para confirmar horários.
Ele tinha um livro sobre a história da Bahia na mão, e olhava pra mim fixamente antes de se debruçar dizendo que não agüentava mais,mas precisava... enfiei o pé no peito dele antes que terminasse a frase. Sabia que ele queria me beijar e imaginei que se deixasse acontecer ele fosse ser aquele tipo de homem que na primeira transa meio tímida, diz putarias no seu ouvido quando você só quer ouvi-las daqui a um tempo. Saio do consultório apressada, ele desce atrás. Fazia um calor insuportável em São Paulo e na portaria meus tios me esperavam para me levar pra casa. Ele descia correndo e eu perguntava mesmo sabendo que era um absurdo, se ele ainda podia me consultar porque eu tinha questões terríveis. Ele disse que sim.
Ia embora por uma ensolarada São Paulo com uma faca enorme na mão. A faca que a gente usa para cozinhar, e com ela em punho entrava no carro com meus tios e pensava no que fazer quando precisasse de uma próxima sessão.
Depois disso acordei, li o bilhete de C. e fiquei imaginando o que ele diria sobre o meu subconsciente dessa vez.
Continuei procurando “something beautiful” em sites de busca na internet.
Não encontrei nada.
Saturday, August 06, 2011
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6 comments:
E esse bilhete que me serve?
Meu obrigado procê, pro C.
http://www.flickr.com/photos/croma/1747583554/lightbox/
seus textos doem. seus textos me fazem pensar se tudo isso é real ou se é totalmente ficção. algo me diz q não, sei lá porque. talvez porque eu não saiba criar ficção, só sei falar de mim e acho q já está de bom tamanho, pq se eu escrever e publicar TUDO... meu deus! Já é literatura o suficiente, já é riso, dúvidas, vitórias, culpas, derrotas, complexos e dores o suficiente. e por algum motivo acho que você está toda em seus textos, mas que queria dizer mais. percebe-se: fica algo entre os dedos e os teclados e o botão de "postar" que achamos "aí já é demais". Talvez eu esteja enganada. aí, esquece. só estou me projetando. ando com medo de escrever o que quero. tantas palavras, tanta coisa pra dizer (q eu precisaria dizer, pq a gente entende q a gente "precisa") mas vão ler. aí eu não publico. Ridículo, eu sei.
teria mto mais... mas só pessoalmente (quem sabe um dia). gostei do C. Espero q ele entenda tudo de vc, espero q ele te faça feliz. sei lá, ou que o C. faça feliz essa mulher aí que sonha com médicos tarados e facas nas ruas de são paulo.
um beijo, com admiração
Ju
Adorei teus escritos. Uma profundidade com dor, e faz pensar...
C. lhe poupou uns anos de lenga lenga no terapeuta, com certeza.
C. lhe poupou uns anos de lenga lenga no terapeuta, com certeza.
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