Thursday, October 06, 2011

I am all over.

Se eu fechar os olhos agora (Esperando que eles não me encarem) Posso ver um dia de sol em tons pasteis, um picolé de cores fortes derretendo na minha boca, um chapéu enorme e uma bolsa que caibam todos os meus desejos.
A voz alta me tira da praia, mas aos poucos eu volto. A música volta, o sépia volta, o mar volta, o gosto de sal volta, ele volta.
Consigo enxerga-lo ao longe, de costas largas viradas pra mim, o dourado da pele do menino me cega, fecho os olhos de novo, por um segundo as pessoas me encaram, mas de olhos fechados eu não percebo nada.
Meu corpo está aqui, eu não. Ele não gostaria que fosse assim, mas essa paisagem, os detalhes que me acompanham, a melancolia dessa musica que me carrega pra longe, minha obsessão em dizer “eu te amo’, tantas vezes sem resposta, muitas vezes pra tanta gente, isso não me abandona nunca.
Voltar dói, parar de escrever dói, a voz alta dói, a conta furada, as dividas, a dureza dói.
Mas nada faz doer mais do que não escrever quando o coração pulsa e a necessidade escorre pelos olhos.
Eu transbordo. E o que eu quero como amor é alguém que recolha o que sobra. Eu sobro. Eu sou tanto que sobro. Eu sou tantas que sobro. Eu sobro. E para quem é assim nunca existe gente o suficiente para recolher os restos.

1 comments:

Bruno Batiston said...

O que sobrou foi suspiro por aqui...