O corpo que habito.
Cada parte dele.
A garganta dolorida recebendo café quente, os passos firmes no chão, o coração escutado no silêncio. O corpo que habito é meu, não dele.
Meu corpo gosta de ser invadido pelo corpo dele, tocado por ele, desejado por ele, imaculado por ele, porém, o corpo que habito é meu.
Ele me lembra disso.
A gente se descola, ele me ama e me empurra, se sufoca, não me quer mais e minha pele, mal acostumada que está, sente esse desprendimento de forma violenta, mesmo que a noite estejamos os dois ocupando o mesmo espaço.
Eu não sabia.
Eu não sabia que podia ser tanto e ele com fome de se sentir amado me viciou no sentimento constante, na presença, no estar sempre, até que ele mesmo se desprendeu.
(Quando eu não encontrava mais outra forma de ser)
O corpo que habito é meu. Ele me ensinou à força quando eu não me reconhecia mais no espelho.
“Eu te amo, mas você precisa ir.”
Me ama? Eu só vou descobrir nesse espaço.
O corpo que habito é meu, e agora me perco entre artérias e ruas, veias e bairros, rostos e cidades, até encontrar o que tinha dentro, mas eu deixei ir.
O corpo que habito é meu.
O corpo que eu habito é meu.
O corpo que eu habito.
O corpo.
Eu.
E a dor do descolar-se passa. Menos isso, pois o corpo que habito é meu, e isso é a única coisa que ele não pode me tirar.
Sunday, November 13, 2011
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2 comments:
show, Paulinha!!
to de olho...
bjs do Paulinho
E eu lá: dentro de Ariane...
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