Dezembro se escreve com letra minúscula, aprendi. (Exceto agora, onde começo uma frase, um texto, o remédio) Ainda é cedo para as resoluções anuais, e também para contar o que aconteceu até agora. Percebi que em 2010 eu estava agradecida, que em 2009 eu estava confusa, que em 2008 eu era irônica da forma que eu deveria ser hoje, que em 2007 eu fumava muito e morria de ansiedade por estar indo para Israel, em 2006 eu era um clichê e extremamente melancólica, em 2005 eu escrevi sobre um cereal matinal e em 2004, no fim de seis meses na cidade grande, eu tinha toda esperança que cabia em Copacabana.
Esse ano serão 8 natais de escritos, o segundo com o amor da minha vida, em uma agência de publicidade e na minha casinha na montanha. Este será o vigésimo quinto (quase sexto) natal de profunda melancolia natalina, na tristezinha de pensar em todo mundo que não se encontra, o primeiro com dois gatos, com um livro pronto e com técnicas de meditação.
É fim de ano e eu aprendi tanto, e a vida consumiu tanto, e o trabalho me tomou tanto, e o amor sobrou. Dezembro chega com a iminência do aniversário, dos parentes emotivos, dos presentes (sou péssima comprando presentes) na saudade da minha casa no Rio e na agonia de deixar na cidade do interior meus amores, que não entendem que essa época destrói meu coração e que é preciso correr pra cá.
2011, um ano onde eu aprendi que dinheiro no fim do mês é mais necessário do que a felicidade trivial, que é preciso mudar para viver junto, que viver junto é mágico, que é preciso ouvir, melhorar, se tratar, tomar alguns remédios, aprender a deixar tudo e tomar um drink, resgatar os amigos do fundo do poço e ser trazida junto, bater palmas para o projeto do grande amor, se despedir de vez de amigos que não cabem na vida atual, fazer outros, comer bem, viajar, ficar dura, ficar desesperada, criar auto controle, ser mais leve.
2011 foi o ano que eu aprendi que dar limites é a melhor forma de não violência que eu podia praticar. Em 2011 eu aprendi a não cometer (tantas) violências comigo mesma. E esta é a única, a única resolução que eu tenho para 2012.
Me tratar bem.
E levar a vida da forma mais doce possível com as mesmas pessoas que estão comigo AGORA. (Fora o pequeno pacote de vida que minha irmã carrega neste fim de ano.)
Mas quem vier de coração aberto, paz de espírito e um vinho debaixo do braço será bem vindo. Sempre é.
Ah, e que o terceiro filho, (o livro) encontre um lar. Isto eu também quero. E quero muito. Porque este ano eu entendi que nenhum lugar é melhor do que a nossa casa. Principalmente a que a gente carrega por dentro, feito um caracol, onde cabem todas as coisas que amamos.
Monday, December 12, 2011
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5 comments:
Leio muito seus textos, desde outros blogs e dá pra ver um pouco deles nessa retrospqctiva que vc fez, muito linda por sinal.
Foda Paula, fazia tempo que nao lia nada seu. Achei foda. E me tocou muito tambem, porque este foi, pra mim, um ano muito intenso em termos de olhar para mim mesmo tambem. Que bom que está investindo no projeto do grande amor, eu acredito nele.
um bom 2012 para vc!
um beijo
onde eu estava que não tinha lido seu blog antes? ahhhh esta gente que não cabe em si. viva eles. nós. e o belo e árduo desafio de fazer daqui de dentro um lugar confortável pra se morar. cheers.
http://paraneura.blogspot.com/ esse é meu blog
estou te seguindo amei ler você parabens e bom ano novo
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